Pular para o conteúdo principal

O(s) Manipulador(es)

          Gosto de brincar com elas. Gosto mesmo de este poder que tenho de colocá-las no ritmo que queira. Rápidas e desembestadas a correr e correr como se o tempo fosse átimo. Ou lentas, cheias de
preguiça, malemolentes. Posso fazê-las felizes, leves, soltas e sorridentes. Ou então, posso torná-las rudes, agressivas, até mesmo duras. Faço o quero com elas. Posso conduzi-las a inspirar amores ou sexo. Posso fazê-las germinar ódios e preconceitos. Se quero que cantem, as farei cantar. Se quero que dancem as farei dançar. Elas são minhas amantes...  Se sou manipulador? Sim. Claro! E é por poder manipulá-las que me faz amar as palavras.

(Por isso, amigos, cuidado com o que vai ler. Há manipuladores por aí que não respeitam a ética, que gostam de "germinar ódios e preconceitos". Feliz 2015. 

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Aniversário de Ariovaldo Matos, Os Dias do Medo. Romance.

ESCLARECIMENTO PRELIMINAR

Morto a 4 de janeiro de 1968, aos setenta e um anos, o senador Antônio Petrucci recompôs – por vezes dando-lhe forma romanesca – aqueles que considerou os mais importantes episódios de sua vida. Uma vida que, acredito, foi muito rica de acontecimentos. Dois ou três dias antes de expirar, ainda lúcido e após assinar seu generoso testamento (1), reafirmou o empenho de que eu expurgasse do texto quanto contribuísse, de algum modo, para lhe embelezar a personalidade. Convenientemente cadáver, queria-se nu diante da opinião pública. E não só a brasileira. Terei de investir bons milhares de dólares para traduções em italiano e em francês, obrigação que hoje não me desagrada: suponho experiência interessante ser personagem. Trabalhei com afinco, pesando e sopesando os capítulos e “notas adicionais” que me foram confiados. Quando chego ao “the end” da tarefa, penso ter cumprido, com algum zelo, a última ordem daquele a quem prestei uma colaboração que ele próprio reco…

Foi ali comprar cigarros (Um conto de carnaval).

. Quinta-feira pré-carnaval, o calor estava beirando o insuportável. Na TV mulheres seminuas se rebolavam em frenesi, Alzira, minha mulher, olhou-as com desdém e comentou antes de desligar a TV, — São umas vadias turbinadas de silicone. De vez em quando morre uma no bisturi, bem feito. - 0 – Alzira, apesar dos 37 anos, fisicamente, ainda é uma mulher bonita. A conheci na faculdade no curso de Arquitetura, eu estava me formando e ela era caloura. Nos aproximamos em um bar perto da faculdade. Muito bonita: pele morena da cor de chocolate, olhos amendoados, corpo tipo mignon e um belo sorriso. Sempre dei preferência às mulatas do tipo violão. Ela se destacava pela desenvoltura, tinha aquele brilho no olhar de quem é feliz. Sorria sem esforço das coisas mais bobas e era um sorriso autêntico, — Nada me mostra mais a personalidade de uma pessoa que o sorriso. Tenho verdadeiro asco de quem coloca no rosto aquele sorriso de atriz. — Gasparzinho foi quem me convidou para sentar-me à mesa com …

O Machista.

O machista.
Findando um tedioso dia de trabalho, Rubens, ao checar seus e-mail, encontrou  convite para um “happy-hour” no bar que costumeiramente frequentava. De imediato confirmou presença, desligou o micro e foi ao bar tentando imaginar o que o amigo de infância e cunhado desejava. Ao chegar, por se sentir um freqüentador prestigiado no bar escolhido, solicitou: — Boa noite, Joel. Tudo bem, Dona Helena? A senhora pode pedir a “Jacaré” para me servir na mesa de sempre? Dona Helena, prestativa, respondeu eperguntou. — Claro! Quer que mande servir o carneiro?  Mais tarde. Estou aguardando um amigo. Por enquanto, só quero uma dose do “Velho Oito”. Peça a Jacaré que a leve pura, estilo “cow-boy”. Rubens caminhou em direção a mesa ao fundo do bar, junto ao sanitário feminino, como fazia costumeiramente nas noites de sexta-feira após concluir o dia de trabalho. Em poucos minutos, com a dose servida, ele observa a chegada de Pedro Ivo. Notou pelo terno que o amigo também viera direto do escritó…