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Homem é assim mesmo.



Paulo Ricardo saíra para velejar em sua prancha de windsurf, afastara-se perigosamente da costa, quando repentinamente, fora colhido por ventos violentos e empurrado mar a dentro. Ao acordar, após vários dias sendo castigado pelo sol ao dia e torturado por ventos gélidos à noite, prestando júbilo ao senhor por estar vivo, notara-se numa pequena ilha deserta. Assim, lutando dia a dia pela sobrevivência, rezava e esperava que alguém aparecesse para lhe salvar. Já havia sobrevivido solitário por meses, até que, após uma violenta tempestade noturna, no amanhecer do dia seguinte, vislumbrara outra figura jogada sobre a areia da praia de coral onde costumava catar alguns mariscos para o desjejum. Correu em disparada até aproximar-se e perceber o estranho ser. Imaginou-se louco, mas acomodando-a nos braços, levou-a até a beira mar, onde, alisando seus lindos e sedosos cabelos, viu, aos poucos, a extraordinária criatura dar sinais de vida. Refeita e agradecida, o mítico ser beijou-o com ternura e contou que a violenta tempestade a atirara na areia da praia, e que, se não fosse providenciado seu retorno ao mar, por certo morreria, e no intuito de agradecê-lo, disse lhe:
                Pedes o que quiseres e farei acontecer. Mas lhe advirto. Só lhe posso atender uma vez.
                Paulo Ricardo pensou... pensou... analisou a situação... Olhou o belo corpo da sereia... Hora mulher, hora peixe... e decidiu.
                Então tá... faz um boquete!

Santa Cruz Cabrália

Março de 2013

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