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Epitáfio -



Dei o máximo de mim aos que amei quando eram vivos.
Sinto se ofendo pela frieza. Não sofro por defunto.

Mas respeito o sofrimento alheio.

Epitáfio

( Redigir em lápide de mármore negro, com
3 m. atura x 1,5 m de largura x 0,5 m espessura.
Letras em dourado: Benquiate Bk Bt )
Quando eu me for, só quero deixar esquecimento, nenhuma lágrima, exceto, as de prazer. Quando for, quero sair à francesa, pois vim do pó das estrelas, para lá irei voltar. Quando de minha ida também não quero "...nem choro, nem velas ". Dispenso até a fita, seja ela de qualquer cor. Dispenso também as flores. (Elas são belas quando vivas, não as matem por mim. Mesmo que isso acarrete prejuízo ao florista e ao floricultor). Se meu cheiro incomodar é só vaporizarem um pouco de "Bom Ar". Quando me for, não quero maquiagens. Quero ir com esta cara descarada que Deus me deu. E diga-se de passagem fiz bom uso dela. Dos amigos sinceros, a eles pedirei que dia vinte e cinco de fevereiro, em ano bissexto, quando carnaval, encham dois copos e ponham na mesa. Um com conhaque, outro com cerveja. Levantem um brinde a mim e joguem dominó. Perdoarei a ausência dos que estiverem amando. Aos filhos, peço que não sofram, o sofrimento é vão, inútil. Como falou meu pai: "Deixe que os mortos cuidem dos mortos." Quando chegar meu momento, não roubem a cena com dramas piegas. Mas, será divertido contratar carpideiras profissionais. Assim como eu, elas são umas boas cínicas. E eu adoro esta faceta humana nos bons. Desprezo-as nos corruptos e sacanas. Mas, enfim, quando me for, quero partir em gozo, pois creio que em gozo fui gerado. Só mais uma coisa: se forem fazer festa não toquem nem axé, nem arrocha. Um samba ou forró, vá lá, é bem vindo.

Grato 

Ricardo Matos"

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