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Sem saco para pobre-de-direita



Já não tenho saco para minhas aflições, diga lá das alheias. Nada mais quero sentir senão a efervescência da vida. Quero acordar todos os dias com carnavais, sem as máscaras. Guardarei meus sintomas só para mim. Não mais darei atenção às más interpretações que dão a minhas causas ou palavras. Não quero ouvir conselhos abestalhados dos que não sabem ficar calados. Minhas dívidas são minhas, ninguém se oferece para pagá-las. Para alimentá-las, aí sim, sobram. Todos têm suas histórias tristes para contar e sabem dramatizá-las muito bem. Para mim pouco importa definir se dói mais uma unha encravada ou uma perna amputada. Não mais gastarei meu verbo ou argumentos com imbecis analfabetos políticos e pobres-de-direita e suas tacanhas opiniões. Chega uma hora na vida que tudo fica, por demais, chato. Nunca busquei e não pretendo buscar “ombro amigo” nas horas difíceis. Chega de ceder meu ouvido para bobagens infrutíferas. Cansei de ouvir lamentações de fatos banais. Cabe-me saber que nunca usei gente como escada ou me desviei de princípios herdados mesmo assistindo, sem julgar, os muito que o fizeram e fazem. Só não pisem em meus calos porque daí, do pescoço para baixo é canela...
"São incrivelmente abnegadas estas pessoas que alimentam da liberdade de romper padrões. Mas isso não é loucura, isso é uma saudável abnegação".

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