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Como nasce um poeta - Homenagem aos dia das Mães.



                Ela não pretendia ter mais filhos, tinha três, dois homens e uma mulher. Mas numa dessas noites que eles transbordavam alegrias, após sorverem borbulhante Moet Chandon, no outono de suas vidas, resolveram se amar intensamente. Na luxuriante noite, reservas à parte, um óvulo esquecido resolve abrigar um vitorioso invasor. Pouco tempo depois, náuseas e antipatia a odores fortes denunciaram a intenção divina de lhes proporcionar um novo desafio. Não era hora, o jornalista, assustado, pensou em aliviá-la da nova carga, ela, em dúvida, ressequia entre o medo do procedimento médico e da dura labuta da realidade a ser enfrentada. Ao vislumbrar a angustia da amada, o jornalista se encheu de brios e sentenciou: “é só mais uma boca”. E a união entre o invasor e sua maculada morada fundiram-se em cadeias de DNA, formando proteínas absorvida dos sais carbonados que circulavam no viscoso líquido carmim. Com o passar do tempo, absorvendo cada vez mais partículas da natureza se uniam e se subdividiam multiplicando diversas formas, dando, a cada uma delas sua função. Não demorou a se tornar mais um ser que romperia o confortável invólucro em busca da luz. E assim, nasceu este poeta descarado. 

Santa Cruz Cabrália – Bahia

Agosto de 2012

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