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De volta à Cabrália ou a visita ao Barbeiro.


De volta ao paraíso ou Ida ao Barbeiro.

Cheguei de volta a Santa Cruz Cabrália, 08/08/2017, vindo de Itambé. Aproveito para agradecer a Cristina que me hospedou por cinco meses, em Itambé, tratando-me como a um verdadeiro filho, apesar de ela ser anos bem mais nova que eu. Aproveito e mando um beijão para Dona Lourdes, uma verdadeira mestra da culinária de Itambé e uma senhora sempre disposta a uma de boa conversa. Aprendi muito com as experiências dela. Agradeço, também, e especialmente a cunhada de Cris, Dona Clêudes, que foi por demais prestativa e amiga, providenciando inúmeras coisas que necessitei. De remédios ao mobiliário necessário para minha recuperação ela e o marido deram um jeito de arrumar sem me cobrar nada. Este casal tem garantido um lugar no céu.
Cinco meses foi o tempo necessário de ser avaliado, tratado e operado em Vitória da Conquista, cidade vizinha a Itambé. Queria agradecer ao prefeito e ao secretário de saúde de Itambé que se colocaram a disposição, de Cristina, para me auxiliar no que fosse necessário. O povo de Itambé soube votar.
Como muitos sabem, outros já deduziram, fui a Itambé providenciar uma cirurgia cardíaca que ocorreria em Vitória da Conquista, 31/05. Quanto a isso escreverei em outra oportunidade, pretendo fazer uma crônica ou mesmo um conto sobre o assunto. Hoje não. Mas aproveito para agradecer a Pedro Nolasco. Pedro agiu como um verdadeiro amigo, levando-me as consultas que me arrumou junto ao irmão Dr. Antônio Trancoso, cardiologista de primeira qualidade, e que, conseguiram o cirurgião Dr. Carlos Caprini para realizar minha operação. Devo dizer que sou grato também a toda equipe do Hospital São Vicente de Paulo. Foram tantos acontecimentos em minha experiência que talvez sirva aos que, como eu, tem problemas cardíacos graves.
Ontem, à tarde, resolvi cortar cabelo, já estava parecendo Roberto Carlos na época da “Jovem Guarda”. Todo mundo corta cabelo. Qual é o interesse que pode haver nisso? Bem. Quem conhece Santa Cruz Cabrália sabe que por aqui barbeiro bom é mais importante que vereador. Barbeiro bom, para cortar seu cabelo, você tem que se ir com horário previamente marcado. Se for “a migué”, ou seja, sem marcar, corre o risco de passar o dia todo esperando e sair de lá carregando a mesma cabeleira que entrou. Já vereador, basta ir à câmara que se bate com um.
Voltando a ontem, graças ao caixa do Bradesco, não deu para marcar horário com o barbeiro. Como eu já disse, fui recentemente operado do coração, foram três pontes de safena e uma mamária. Queria receber do INSS os trocados a que tenho direito. Mas a burrice burocrática brasileira ainda é um empecilho a ser vencido. Ainda mais quando há má vontade. Explico: Como fui operado em Vitória da Conquista, o posto do INSS enviou a grana para o Bradesco de Itambé, porém, como correntista do Banco, solicitei em Itambé que depositassem em minha conta. Ingenuamente, achei que indo à agência de Cabrália sacaria facilmente o dinheiro. Não foi bem assim. Cheguei cedo, uns vinte minutos antes de o banco abrir. Na fila só havia umas cinco pessoas quando cheguei. Já cheguei ao Banco cansado devido à cirurgia. Então pedi ao guarda para entrar, um pouco antes, só para esperar sentado. O guarda, frio, disse que não. Um dos bons moradores daqui, gentilmente, disse: -- Senhor, sente lá fora no meio-fio que é alto e fica numa sombra. Quando abrir eu irei chamá-lo. Todos que estavam na fila concordaram mostrando serem pessoas de bom coração. Então, saí e me sentei no meio fio na sombra mencionada. 

Ao abrir as portas do banco me chamaram e me deixaram ser o primeiro a ser atendido. Fui ao caixa, mas o rapaz, de cara amarrada, foi taxativo em negar de eu poder depositar o dinheiro em minha conta no próprio banco ou mesmo sacá-lo “por ser de outra agência”. Disse-me que eu teria de ir ao INSS de Porto Seguro, cidade vizinha, e pedir que fosse realizada transferência para cá ou eu que fosse sacar em Itambé. Um porém, de Cabrália para Itambé são aproximadamente 6 horas de ônibus, uns 300 quilômetros. Tentei argumentar com o caixa, mas ele estava irredutível e com pressa. Retornei para casa puto da vida com a má vontade do escroto. Sabia que se ele quisesse resolveria sem muito trabalho.
Achei uma sacanagem o que fizeram comigo e resolvi ir atrás. Pesquisei e descobri, via Google, o telefone da agência do Bradesco em Itambé e telefonei pra lá. Lá, ao contrário do que aconteceu aqui, fui atendido por Manuela, pela voz, uma jovem simpaticíssima. Manuela disse que não, que daria um jeito de eu receber o dinheiro. Pediu que eu retornasse a agência do Bradesco de Cabrália e pedisse que, de lá, alguém, algum funcionário entrasse em contato com ela. Retornei mas a agência já estava lotada. Vi que não aguentaria a fila daquela agenciazinha mequetrefe e retornei para casa. Esperaria para aparecer ao final do expediente. Quando acreditava de a agência estar mais vazia. Perto das três horas, horário que fecha, fui novamente á agência. Ceguei lá e o cacete-armado ainda estava cheio, mas, como eu já tinha ido pela manhã e retornado fui direto ao guarda me mandou pegar informação no atendimento. Já cansado, finalmente, conseguir que o dinheiro, uma merreca, fosse colocado em minha conta. Saquei o necessário e resolvi arriscar passar pela porta do barbeiro. Fui por ir, já que imaginava não ser atendido. Que nada. Pela primeira vez em dez anos morando aqui, cheguei ao barbeiro e dei de cara com a barbearia vazia, as moscas. Lá só estava o barbeiro jogando videogame. Estranhei, já que ele sempre que eu ia à barbearia, pela manhã ou pela tarde, estava sempre lotado e ele seguia regiamente o horário marcado. 
Terminei por cortar o cabelo sem o tal horário marcado, o corte como sempre ficou legal. Deu até para levar uma boa conversa com o barbeiro que antes, diversas vezes, discutira comigo pedindo a saída de Dilma e do PT. Hoje, ele se diz arrependido e garantiu, se Lula for candidato seu voto será dele. 

PS: Segundo a moça do Bradesco daqui de Cabrália, ela abriu uma exceção este mês, no mês que vem ou transferem meu dinheirinho para agência daqui ou terei que viajar 300 quilômetros para sacar pouco mais que um salário mínimo. Coisas do Brasil. Esse Bradesco é uma Bosta. Que fique claro. Quem definiu Bradesco foi o INSS.

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