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Importância dos grandes eventos para o turismo no Brasil.


Não tem muito tempo, por questões políticas, criou-se um sofisma* que tem prejudicado substancialmente o turismo no Brasil. Os investimentos públicos minguaram na área devido à preocupação de prefeitos e governadores no que tange aos grandes eventos. Não me referi à presidência devido ao que está ocorrendo na vida política brasileira atualmente.  

Há pouco, numa cidade do interior da Bahia, o prefeito foi aplaudido por resolver não realizar o tradicional São João em seu município enquanto nas redes sociais pipocavam críticas nas cidades onde as festas ocorreram. Todos os nevrálgicos opositores usando o mesmo pífio argumento de usar as verbas do evento para o binômio saúde/educação. Como se investir na atração de turismo trouxesse qualquer prejuízo aos investimentos já definidos, legalmente, para pastas citadas.  

Tal comparação, figurativamente falando, chega a ser uma blasfêmia.

E esse sofisma foi criado na intenção única de impedir a reeleição de Dilma Rousseff. (Que acabou acontecendo e os opositores tiveram que arranjar outras artimanhas para derrubá-la e a derrubaram, antidemocraticamente, por pedaladas fiscais).    

As vovós já diziam: “nada como um dia atrás do outro”.

Orgulhávamos de vivermos num país que, apesar de a imprensa estar sempre trabalhando e torcendo contra nosso desenvolvimento, o emprego era quase pleno, com as menores taxas históricas. Investíamos em educação, saúde, segurança e infraestrutura do país. Sonhávamos com o pré-sal nos tornar independentes da importação de petróleo. Éramos um povo festivo e, visto que tínhamos uma boa reserva financeira internacional, o Governo Federal resolveu trazer, para agradar o povo brasileiro, uma copa do mundo de futebol.

De repente, surgiu uma campanha imensa contra o evento disputado e vencido contra vários países. Queria o Governo Federal investir no turismo e mostrar ao mundo que grande e feliz país era o Brasil, que grande povo era o povo brasileiro. Queríamos mostrar ao planeta como eramos uma nação acolhedora, de divinas belezas naturais e uma ampla gama cultural.

A bela história tinha que mudar.

Vinda não sei de onde, mas apoiada maciçamente pela imprensa, surgiram os demagogos a gritar seus clichês, burros, contra o grande evento a acontecer. Para que trazer uma Copa do Mundo de Futebol para o Brasil? Gritavam os jornalistas.

Não fosse o Brasil conhecido, internacionalmente, como o País de Futebol e o Futebol ser uma paixão nacional eu também faria a mesma pergunta. Porém, os inúmeros argumentos a favor de grandes eventos: aceleração de investimentos em infraestrutura, (aeroportos, metrôs, melhoramentos em vias urbanas etc.) Além de a recuperação de nossos estádios que já estavam sucateados e o grande número de novas vagas de empregos gerados, somado ao fato de o Brasil se tornar uma vitrine para o turismo mundial me convenceu que sim. Era um bom negócio para o povo brasileiro hospedar a “Copa do Mundo da FIFA”.

Os fascistas, contudo,( li por aí), não poderiam deixar acontecer mais uma vitória do então governo Dilma. Contextos e versões contrárias a Copa, das mais estapafúrdias, eram colocadas. A exemplo: a revista Carta Capital apareceu com uma matéria sob o título “Argumentos para continuar protestando contra a copa de mundo no Brasil”** onde, no corpo do texto apresenta esta pérola:

‘’Em um país onde reina a pobreza e a cultura do machismo, a realização da Copa do Mundo, com a consequente chegada de milhares de turistas, só fará aquecer ainda mais as redes de aliciamento que se beneficiam do mercado da exploração sexual.”

Numa outra matéria, no ACID Black,*** outra pérola dizia:

“Todos sabemos que a imagem do Brasil será desgastada com esses eventos. Não precisa ser nenhum expert para perceber que assaltos e furtos serão algo presente, o caos no transporte, e a falta de infraestrutura e o despreparo para lidar com grandes eventos certamente gerará muitas críticas, que ressonarão internacionalmente.”

Imagina o repórter afirmar que no país do Carnaval, há despreparo para lidar com grandes eventos, e hoje sabemos que fora o malfadado 7 x 1* o evento Copa do Mundo no Brasil foi um sucesso.  

Será que o Brasil deveria fechar as portas para o turismo, destruir a rede hoteleira, devido a esses e outros argumentos acima? Não. Claro que não.

Política de lado, o que o Brasil tem a fazer é encontrar meios de dinamizar novamente sua economia. E nada como um grande evento para abrir novos horizontes numa área conhecida como a mais democrática da economia: O turismo.

Cidades, Estados e até mesmo o Governo Federal devem retomar seus investimentos no setor de eventos para fomentar o turismo gerando empregos e renda.

PS: Li matérias que alegam ser o 7 x 1**** a favor da Alemanha, um resultado armado, num dos artigos que li, na intenção de evitar a eleição da Presidente Dilma. E que a Rede Globo teria tal interesse. Realmente quem manda no futebol brasileiro é a Globo. Será que é verdade ou será mais uma teoria da conspiração.

Uma coisa eu sei. O Gasto com a Copa do Mundo no Brasil foi bem mais barato e trouxe muito mais retorno que o gasto na compra de deputados para manter Temer no poder.

Outro exemplo é o Rock in Rio 2017 – Que tem se mostrado um verdadeiro sucesso de venda de ingressos a acontecer em setembro de 2017. (https://www.guiadasemana.com.br/rio-de-janeiro/shows/evento/rock-in-rio).

*Sofisma – argumentação que apresenta verossimilhança ou veridicidade, mas que comete incorreções lógicas com intenção de enganar o leitor ou ouvinte.


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