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Mostrando postagens de 2019

Por favor, não me ame não!

Por favor, não me ame não.
É muita responsabilidade para minhas costas estreitas. Se há uma sentença que me mete medo é esta: “eu te amo”. É verdade! Eu iria escrever: “se há uma ‘frase’ que me mete medo”, contudo, preferi usar o termo ‘sentença’. Porque é uma sentença, um castigo, uma chaga ser amado por alguém. Quando alguém diz que me ama, na grande maioria das vezes, eu me sinto obrigado a retribuir, a ter que arranjar tempo para quem me estigmatizou como um ente amado. Passo a ter obrigação de ser o como a pessoa imaginou que eu seja. Passo a ter obrigação de corresponder às expectativas criadas por elas, as que me amam. E como cada uma delas criam expectativas diferentes, quando somadas, estas expectativas tornam-se tanto maior quanto o número de pessoas que me amam, e por via de consequência, maior é a cruz a ser carregada nesse calvário.
A primeira coisa que a pessoa que passa a me amar é exigir que eu também a ame, e por amá-la, busque ter bons hábitos, já que minha morte ou d…

A Cadeira de Balanço

Comprei uma cadeira de balanço. Quero ser ninado pela gravidade, quero assistir a lua pratear os paralelepípedos de Cabrália em seus dias úmidos. 
           Fico feliz por ter chegado à idade da cadeira de balanço. Só as crianças e os mansos pela idade sabem aproveitar as cadeiras de balanço. É necessário estar com o espírito livre para se balançar lentamente sem se ocupar do dia porvir... da conta no banco... da necessidade da feira... da cobrança de companhia... Comprei uma cadeira de balanço para entardecer com calma, com alma, com paz...