Etarismo!

 


Ela olhou-me com seus olhos pardos, assim, julgando-me um malfeitor por desejá-la. Como se o desejo fosse algum pecado e não a ação dos meus últimos hormônios naturais. As curvas da anca, seus lábios grossos, sua cor de jambo e seus cabelos encaracolados que descia até o colo reluzente... E meu olhar fora interrompido:

— Se olhe, velho babão!

E eu desviei o olhar sob sua indignação como se houvera algum erro de interpretação.

— Falou comigo, moça?

— Com você mesmo, velho tarado!

— Não olhava pra você...

— Como não?

Segui meu caminho pensando que essa juventude não sabe fazer julgamentos. Meu olhar de desejo fora um elogio, talvez um último elogio,  mas ela interpretou como um acinte...    

        


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